Cafés do Vale da Grama chegam ao Mercadão de São Paulo
Visibilidade ampliada: café arábica de São Sebastião da Grama começa a ser comercializado em um dos principais centros gastronômicos e turísticos da capital paulista
Região do Vale da Grama reúne cerca de 300 produtores de café. Foto: Sebrae/Divulgação
Pela primeira vez, os reconhecidos cafés do Vale da Grama serão comercializados no novo Santuário do Café, inaugurado recentemente no Mercado Municipal de São Paulo, o famoso Mercadão. A iniciativa promete abrir novas oportunidades aos produtores da nossa região.
A conquista foi celebrada pela administração de São Sebastião da Grama com um marco para o município e para a Serra da Mantiqueira. O lançamento das vendas teve a participação do prefeito, Zé da Doca, do gerente de Turismo, Richardson Spencer Fernandes Cerri, e do cafeicultor Tiago Cesar Duarte, que estiveram no Mercadão.
História, qualidade e selo de Indicação Geográfica
A região do Vale da Grama, situada em São Sebastião da Grama, é reconhecida pela produção de cafés arábica de alta qualidade, graças a um terroir único com altitudes superiores a 1.000 metros, clima ameno e solos de origem vulcânica, que favorecem uma maturação lenta dos grãos.
Em dezembro de 2024, o café do Vale da Grama recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG) na categoria de Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação ajuda a agregar valor ao produto, proteger a cultura local e destacar suas características sensoriais — corpo médio, notas cítricas, doçura acentuada e finalização prolongada — que atingem padrões superiores a 80 pontos na tabela da Specialty Coffee Association (SCA).
Com cerca de 300 produtores na região, a IG do Vale da Grama fortalece a tradição centenária de cultivo iniciada no século XIX e impulsiona a cafeicultura local, ao propor uma integração entre qualidade, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
A Associação dos Cafeicultores Vale da Grama (ACVG) tem papel central nesse processo, apoiando produtores na otimização de processos, divulgação e elevação do padrão de excelência tanto no mercado nacional e quanto internacional.
Mercadão de São Paulo: tradição e espaço para sabores do Brasil
A chegada ao Mercado Municipal de São Paulo é bastante comemorada porque o local é um dos principais pontos turísticos e gastronômicos da capital paulista desde sua inauguração, em 1933. Projetado pelo escritório de Francisco Ramos de Azevedo, o edifício se destaca pela arquitetura e pelos vitrais artísticos de Conrado Sorgenicht Filho, que ilustram cenas da produção agrícola.
Localizado na Rua da Cantareira, no centro da cidade, o mercado ocupa mais de 12 mil metros quadrados e abriga cerca de 300 boxes com produtos variados — de frutas, especiarias e queijos a iguarias regionais —, além de opções gastronômicas que atraem moradores e turistas diariamente.
Ao longo de quase um século, o Mercadão se tornou um símbolo da diversidade cultural e culinária de São Paulo, onde visitantes podem provar desde o tradicional sanduíche de mortadela até ingredientes raros e especializados.
Santuário do Café
Dentro do Mercadão, o Santuário do Café foi inaugurado em dezembro do ano passado. É uma cafeteria e loja especializada em cafés especiais com foco em experiência e diversidade de grãos. Oferece dezenas de silos com grãos a granel. Uma vez escolhido, o café pode ser degustado ali mesmo, com vários métodos de preparo — desde clássicos como a prensa francesa e o Hario V60 até métodos menos comuns no Brasil, como o sifão belga e o café turco.
O espaço foi projetado para orientar o público sobre o segmento de cafés, aproveitando o grande fluxo de visitantes do Mercadão — incluindo turistas e pessoas que não têm tanto contato com cafés artesanais. Além do produto de São Sebastião da Grama, podem ser conhecidos cafés de diferentes regiões do Brasil, desde zonas tradicionais, como Sul de Minas e Mogiana Paulista, a variedades menos comuns, como laurina, geisha e pink bourbon.

Igor Savenhago
Jornalista. Pós-doutor em Ciências da Comunicação, doutor e mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade. Tem experiências em jornais, revistas, rádios, TVs, sites e assessorias de imprensa. Ganhador de sete prêmios como repórter e editor, e 17 como orientador acadêmico.









