Participantes do MPJ se comprometem a produzir conteúdo original e ético

Rede oferece infraestrutura gratuita e une veículos de todo o País para combater desertos de notícias e fortalecer a informação local/regional

Atualizado em 22/11/2025 às 16:11, por Igor Savenhago.

Mais Pelo Jornalismo promove uma rede colaborativa em prol do jornalismo independente. Imagem: MPJ/Divulgação

A rede Mais Pelo Jornalismo (MPJ) é uma estratégia inovadora criada para reforçar e sustentar o jornalismo local/regional no Brasil, especialmente em veículos de comunicação de pequenas e médias cidades. Lançada pela empresa I’Max, oferece apoio técnico robusto — quase como uma “infraestrutura completa” — para portais de notícias que muitas vezes não têm recursos para manter uma operação digital profissional.

O cerne da proposta do MPJ é atender até 1.000 sites jornalísticos, especialmente aqueles de municípios onde o jornalismo vem sendo ameaçado ou deixado de lado. Esse apoio consiste em um “combo tecnológico”: (re)desenho de layout, hospedagem em servidor seguro, editor de texto (CMS), e-mail corporativo, cibersegurança, suporte técnico, entre outros serviços essenciais para manter um site de notícias funcional e confiável.

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Além disso, o MPJ promove uma rede colaborativa entre os veículos participantes. Por meio desse formato, os publishers (responsáveis pelos sites) trocam conteúdo entre si, participam de treinamentos em temas importantes — como alfabetização midiática, questões ambientais, raciais e de desinformação —, e ainda têm acesso a iniciativas para ampliar receitas, por exemplo por meio de publicidade estruturada e/ou participação em editais.

Para fazer parte dessa rede, os veículos jornalísticos não precisam pagar pela infraestrutura: o MPJ oferece tudo gratuitamente, sem exigir contrapartida financeira direta. Em troca, exige que os portais se comprometam a produzir conteúdo original e frequente, respeitando preceitos éticos, como evitar a desinformação e manter a transparência sobre autoria, financiamento e privacidade.

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A justificativa para a criação do MPJ é bastante contundente: nas últimas décadas, muitas mídias de proximidade (locais/regionais) desapareceram. Um levantamento da própria I’Max, por meio do MPJ, mostra que cerca de 2.352 veículos de mídia — jornais, rádios, TVs e portais — foram extintos no Brasil desde 2014. Esse colapso tem impacto direto na democracia e na qualidade da informação, sobretudo em desertos de notícias, que são localidades sem cobertura jornalística. 

Nesse sentido, o MPJ vê sua missão também como uma rede nacional de resistência informativa: ao fortalecer veículos independentes, busca preservar o jornalismo de comunidade, reduzindo a dependência das grandes plataformas digitais e criando modelos de financiamento mais sustentáveis e éticos. 

Além do apoio técnico, o projeto tem uma dimensão simbólica: jornalistas que integram o MPJ passam a ter uma voz mais coletiva, já que os veículos podem participar de pautas em rede, criando uma lógica que impulsiona o jornalismo de base.


Igor Savenhago

Jornalista. Pós-doutor em Ciências da Comunicação, doutor e mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade. Tem experiências em jornais, revistas, rádios, TVs, sites e assessorias de imprensa. Ganhador de sete prêmios como repórter e editor, e 17 como orientador acadêmico.