Arquivo Histórico de São João comemora 25 anos com mostra especial sobre sua trajetória

Exposição revisita documentos, personagens e decisões que marcaram a preservação da memória sanjoanense

Atualizado em 15/12/2025 às 08:12, por Igor Savenhago.

Visitação ao Arquivo poderá ser feita a partir de 19 de dezembro. Foto: Prefeitura de São João da Boa Vista/Divulgação

O Arquivo Histórico Municipal Matildes Rezende Lopes Salomão, em São João da Boa Vista, celebra seus 25 anos de atuação com a abertura da exposição “Arquivo Histórico: 25 anos revelando o Tempo”. A mostra será inaugurada no dia 17 de dezembro, às 19h, na sede da instituição, e propõe um olhar sobre o percurso que consolidou o Arquivo como referência na guarda e valorização da história local.

A exposição reúne documentos que representam a diversidade do acervo, permitindo ao público conhecer diferentes períodos e formas de registro da vida sanjoanense. Entre os itens em destaque, estão a ata da Primeira Sessão da Câmara Municipal, datada de 1859, além de jornais, fotografias, CDs, disquetes e outros suportes que revelam a evolução da produção documental ao longo do tempo. A visitação poderá ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 16h.

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Segundo o historiador Luis Pedro Dragão, responsável pela curadoria, a comemoração dos 25 anos reforça o compromisso do Arquivo Público com a preservação da memória coletiva. Para ele, a mostra também é uma forma de reconhecer o empenho de todos que contribuíram para a formação e manutenção do acervo, garantindo seu acesso às gerações futuras.

A história do Arquivo

Fundado em janeiro de 2000, o Arquivo Histórico teve início com a criação de uma comissão composta por 20 integrantes, responsável por planejar sua organização. As atividades começaram oficialmente em outubro daquele ano, com dois profissionais dedicados à higienização, organização dos documentos e atendimento ao público. Em 2003, a instituição passou a levar o nome da historiadora Matildes Rezende Lopes Salomão, que teve papel decisivo na implantação do Arquivo e do Museu Municipal.

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Ao longo dos anos, o acervo se expandiu e atualmente reúne mais de 10 mil documentos, incluindo atas da Câmara Municipal — com um raro registro paroquial de 1842 —, processos administrativos, almanaques, revistas, fotografias e cerca de 10 mil títulos eleitorais, muito procurados por cidadãos que buscam comprovação para fins de aposentadoria.

Entre os conjuntos documentais mais consultados, está o acervo de registros de estrangeiros, doado pela Polícia Seccional, que deu origem ao processo de digitalização dos documentos. Parte desse material pode ser acessada pela internet, no site da Prefeitura, por meio de parceria com o Círculo Italiano local.

A sede do Arquivo conta com quatro áreas estruturadas para pesquisadores e visitantes, incluindo uma hemeroteca com jornais locais desde 1895, uma biblioteca especializada com aproximadamente 450 obras de autores da cidade e da região, e um setor exclusivo para a guarda de documentos históricos e oficiais. As consultas são realizadas mediante agendamento, dentro do horário regular de funcionamento.

Apesar de sua relevância atual, a trajetória do Arquivo foi marcada por desafios. Na década de 1960, parte dos documentos históricos era tratada como “arquivo morto”. Com o passar do tempo, o material passou por diferentes espaços, como o Centro Cultural Pagu, até conquistar uma sede própria, planejada para assegurar conservação adequada e incentivar a pesquisa histórica.


Igor Savenhago

Jornalista. Pós-doutor em Ciências da Comunicação, doutor e mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade. Tem experiências em jornais, revistas, rádios, TVs, sites e assessorias de imprensa. Ganhador de sete prêmios como repórter e editor, e 17 como orientador acadêmico.